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Temporada de otimismo na Serra Gaúcha

Se as condições climáticas da Serra Gaúcha continuarem favoráveis, a produção de uva na região voltará a encher os produtores de orgulho. Com a quantidade de frio regular e a ausência de intempéries climáticas, como a geada em excesso e a chuva de granizo, os produtores da fruta em Caxias do Sul estão mais otimistas quanto a qualidade e o sabor da uva – cujo volume da safra pode chegar a quase 500 mil toneladas. Além da uva, a produção de caqui, pêssego e ameixa também deve apresentar qualidade superior à safra do ano passado.

Todas as etapas de desenvolvimento da uva foram animadoras, segundo o coordenador da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha e Nova Pádua, Olir Schiavenin. Com um inverno menos rigoroso em relação a 2015 e o registro de geada menos intensa, a fruta produzida na região já somou mais de 600 horas de frio, em temperatura abaixo de 7,2ºC – a principal característica da uva da Serra Gaúcha em relação a outras regiões produtoras da fruta do país. “O clima está sendo ideal para qualquer tipo de fruta, mas principalmente para a uva. Ainda não temos parâmetro para quantidade de uva, mas a qualidade certamente será boa”, afirma.

Nos parreirais espalhados pelo interior de Caxias, as videiras já apresentam as primeiras folhas e os pequenos grãos de uva. É a chamada fase da maturação, quando o cacho começa a crescer, ganhar forma e desenvolver a cor e os açucares da fruta. Entretanto, com a chegada do verão e os dias mais quentes, o temor é pelo registro de granizo, capaz de impactar na produção da uva. “Quem tem o parreiral fechado está um pouco mais tranquilo, mas é o que mais vai incomodar a partir de agora. Quem vive da agricultura sabe que isso pode ocorrer, mas a gente torce para que os bons ventos continuem sobrando a favor dos produtores de uva”, estima.

Produção normal – Se o clima favoreceu para uma uva mais saborosa, o mesmo influenciou para que a produção da fruta não apresentasse uma supersafra, como o esperado. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias, Rudimar Menegotto, as chuvas dos últimos 30 dias e o excesso de umidade influenciaram na perda de cachos da uva que já estavam em floração. Se antes a expectativa é que produção chegasse a quase 630 mil toneladas, desta vez a estimativa é que não ultrapasse os 500 milhões de quilos da fruta. “Em relação ao ano passado é excelente. O que observamos nas últimas semanas é que a umidade tem influenciado diretamente no parreiral”, afirma.

Outra preocupação é com a maçã, mas as causas ainda são desconhecidas. A safra deste ano terá menos maçãs gala, uma das variedades mais consumidas no Sul do Brasil. Menegotto afirma que técnicos agrícolas estão estudando as causas da perda, mas prefere não relacionar com o clima. “É um fenômeno muito estranho e que a gente ainda não sabe explicar. Talvez seja o clima, a chuva e a umidade em excesso, mas é cedo para apontar uma causa”, comenta.

Aposta em uva sem agrotóxico

A colheita da ameixa e do pêssego deve começar na próxima semana na propriedade do agricultor Evandro Mazochi, em São Roque, interior de Caxias do Sul. E o cenário deste ano é bem diferente de 2015, quando a safra das duas frutas foi baixa e trouxe prejuízo para o produtor. Desta vez, com o pomar carregado, a expectativa é que a colheita amenize as perdas do ano passado. “A safra do ano passado é para esquecer”, resume. Para a colheita a expectativa é a contratação de cinco profissionais, muitos deles vindos do Paraná. Desta vez, segundo Mazochi, a mão-de-obra aumentou: moradores de Caxias, que estão desempregados, já procuraram a propriedade em busca de oportunidade.

Além de ameixa, pêssego e caqui, Mazochi também é proprietário de um hectare de uva Niágara em Fazenda Souza. Com a expectativa da qualidade da uva nesta safra, o produtor investiu na substituição da aplicação de agrotóxico por um produto ecológico à base de algas marinhas. O resultado final ainda é incerto, mas vem dando certo em videiras de Santa Catarina, segundo o produtor. Se funcionar, as uvas de Mazochi estarão livres da aplicação de produtos químicos e poderão receber um selo de qualidade atestando a característica da fruta. “Estamos tentando fazer um manejo mais correto da uva, saindo do convencional e buscando uma prática mais saudável”, afirma.